Artigo de opinião / 19.09.16

Indústria dos Moldes Portuguesa: um caso de sucesso (João Tavares)

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Sinopse

Portugal, um dos parentes pobres numa União Europeia bastante desigual e com graves assimetrias entre os estados-membros, tem-se destacado a nível mundial num dos setores mais importantes e fundamentais para a produção dos mais diversos bens que utilizamos no nosso dia-a-dia: os moldes.

A indústria portuguesa dos moldes

                A Indústria dos moldes em Portugal deu os seus primeiros passos em 1934, na Marinha Grande, com o iniciar de laboração de uma empresa de moldes para vidro. Foi a partir desta iniciativa, que se iniciou o “boom” da indústria, tendo sido criadas inúmeras empresas, com especial incidência na década de 80/90. Foi também nesta década que as exportações da indústria dos moldes começaram a fazer-se de uma forma mais intensa, tendo atingido nos anos mais recentes valores muito elevados (mais de 80% da produção vai diretamente para o exterior). No seguimento do crescimento do setor, dois clusters foram crescendo e ganhando grande importância a nível geográfico: A Marinha Grande e Oliveira de Azeméis.

                Apesar de Portugal ser um país relativamente pequeno e como uma economia bastante deficitária principalmente em termos industriais, neste setor, o país é um dos principais fabricantes mundiais de moldes, especialmente na injeção para plásticos. Isto deve-se ao facto de o setor ter demonstrado, nos últimos anos, uma elevada capacidade de adaptação às necessidades dos seus clientes e às evoluções, quer dos mercados, quer das tecnologias. É também um setor altamente inovador e de alta intensidade tecnológica, características que permitiram posicionar o setor no topo a nível mundial. Outro das características que impulsionaram a indústria para o top mundial, foi o know-how detido por empresas e empresários que foi sendo acumulado ao longos dos anos.

A indústria dos moldes mundial

Em termos mundiais, os grandes players a nível de produção de moldes é a China, Coreia do Sul e Itália. Houve grandes alterações no setor durantes os últimos 20/30 anos. A lista dos principais países produtores de moldes foi sendo alterada nos últimos anos com o crescimento exponencial dos países asiáticos, que são neste momento os grandes dominadores mundiais. O aparecimento destes países é uma grande ameaça para países como Portugal, visto que, os moldes produzidos nesses países têm preços mais baixos devido aos baixos custos de produção e de mão-de-obra. Apesar disso, os países europeus têm sabido lidar com a forte concorrência externa e mantido a sua importância como uma grande potência no setor.

O setor em números:

Portugal é o sétimo maior exportador do mundo com uma quota de 4%;
Em 2014, o setor dos moldes português exportou mais de 560 milhões de euros;
As exportações representam mais de 80% da produção;
O setor exporta para 94 países em todo o mundo, destacando-se Espanha, Alemanha e França.

 

João Tavares

Consultor Júnior Associado

Outglocal Consulting

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