Artigo de opinião / 30.05.18

E-Commerce em Portugal (Maria João)

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Portugal é 2º país europeu com maior percentagem de compras online.

De acordo com um inquérito efetuado em junho de 2017 por DBD Group é possível retirar algumas conclusões acerca do comportamento dos portugueses no que respeita a compras online. A primeira conclusão é que Portugal é o segundo país europeu que tem a maior percentagem, cerca de 83%, de encomendas online provenientes do estrangeiro. Os países preferidos pelos e-shoppers portugueses são a Espanha, o Reino Unido e a China. De acordo com os dados, 48% dos portugueses afirmam que já fizeram compras online.

Estes resultados não são surpreendentes e inúmeras empresas já o perceberam e começaram a apostar numa estratégia de vendas e marketing ao nível digital. Na verdade, esta tendência iniciou-se do lado da procura com um número cada vez mais significativo de consumidores a preferirem comprar online, devido ao aumento da confiança nestes serviços e a uma maior conveniência e facilidade no processo de compra, ou seja, não há a necessidade de se deslocarem às lojas físicas assim como a possibilidade de efetuar uma abrangente pesquisa nos vários sites de diferentes empresas antes de comprar o produto pretendido.

 As principais preocupações dos consumidores são os custos e timings de envio, a segurança no pagamento e se o que é anunciado online corresponde à realidade. Para contornar estas desvantagens muitas lojas já oferecem envios gratuitos através de empresas intermediárias (como a FedEx) e prometem o envio num curto espaço de tempo. Como forma de assegurar que o produto que o cliente encomendou corresponde ao que irá receber, algumas empresas têm políticas de devolução gratuita e ainda existem plataformas de reclamação online, como é o caso da DECO em Portugal. Em relação ao pagamento, já existem formas de pagar sem ter que dar os dados pessoais como o Paypal ou MBWay, ou ainda através de referência multibanco e transferência bancária. Estes avanços permitiram que os portugueses vissem o e-commerce como uma forma simples e eficaz de comprar. Outra medida bastante importante é o facto de algumas lojas completarem a sua presença física com o site online. A existência de uma interação entre estes dois meios, por exemplo, a possibilidade de efetuar a troca ou devolução do produto comprado online na loja física, é algo bastante apreciado pelos consumidores.

A ACEPI – Associação da Economia Digital publicou um conjunto de tendências em 2018 no âmbito do e-commerce. A principal informação é que a 4ª década digital contribuirá ainda mais para o crescimento do comércio eletrónico devido ao aumento significativo da utilização da internet (através dos smartphones) e das redes sociais. Isto significa que a abordagem das empresas tem que ter em conta o mercado online e o que o consumidor pretende como: a compra em vários dispositivos e várias plataformas, como apps; uma experiência real de compra com imagens e descrições detalhadas do produto ou serviço; experiências personalizadas e de acordo com o público-alvo e identificar os meios necessários para atingir esse público, por exemplo através da presença nas redes sociais. Outro dado relevante é que no ano passado os portugueses gastaram 4,6 mil milhões de euros em compras online e a previsão é de que este valor quase duplique em 2025 atingindo os 8,9 mil milhões de euros.

O e-commerce 4.0 provocou uma mudança do omnichannel (interação de múltiplos canais) para o optichannel. Este último pretende otimizar a experiência do consumidor, incentivando as empresas a simplificarem os processos usando apenas os canais necessários, eliminado os menos eficazes. Esta mudança traz benefícios para os clientes, uma vez que facilita o seu processo de compra, e para as empresas, porque permite um aumento das receitas e dos clientes. A digitalização transformou a experiência do cliente, a forma como os consumidores efetuam as suas compras e a forma como interagem com as empresas.

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